Eleições de 2026 devem ser decididas pela rejeição, não pela ideologia, aponta pesquisador político

Mário Flávio - 26.01.2026 às 20:17h

A disputa presidencial de 2026 tende a ser marcada menos pela força de discursos ideológicos e mais pelo nível de rejeição dos candidatos junto ao eleitorado. A avaliação é do pesquisador político Emanoelton Borges, CEO da Alfa Inteligência, instituto especializado em estudos de comportamento eleitoral que acompanha, há mais de uma década, a evolução do voto no Brasil.

De acordo com levantamentos e análises conduzidas pelo instituto, cerca de 32% a 33% dos eleitores brasileiros adotam um comportamento definido como “voto defensivo”. Nesse modelo, a escolha não se dá necessariamente por afinidade política ou ideológica, mas pelo candidato considerado menos rejeitável. “A rejeição se consolidou como um elemento central da decisão eleitoral. Em disputas polarizadas e com percentuais apertados, ela passa a ser determinante para o resultado final”, afirma Borges.

O pesquisador destaca que esse padrão começou a ganhar força a partir das eleições de 2014 e se tornou ainda mais evidente no pleito de 2022, quando a polarização intensa e a diferença mínima de votos entre os candidatos reforçaram a lógica da escolha pelo “menos rejeitado”. Para ele, o cenário projetado para 2026 aponta para uma continuidade — e até aprofundamento — desse comportamento, sinalizando uma perda de centralidade das narrativas ideológicas tradicionais. “O eleitor tem demonstrado menor disposição para aderir a discursos rígidos e maior atenção a critérios como preparo, trajetória pública e capacidade de gestão”, avalia.

Outro ponto relevante identificado pelas pesquisas é a crescente volatilidade do voto. Segundo Borges, o eleitor tem decidido cada vez mais perto do dia da eleição, com percentuais significativos de indecisos permanecendo até as semanas finais da campanha. “O ambiente de comunicação mudou profundamente. O excesso de informações, sobretudo nas redes sociais, dilui a atenção do eleitor e posterga o momento da escolha”, explica.

Nesse contexto, temas considerados mais concretos ganham peso na avaliação dos candidatos. Segurança pública, desempenho em cargos anteriores, histórico administrativo e viabilidade de execução das propostas aparecem como fatores decisivos na redução ou no aumento da rejeição. “O eleitor que irá decidir a eleição está menos movido por engajamento emocional e mais orientado por uma lógica pragmática”, observa Borges.

Para o pesquisador, compreender esse comportamento será fundamental para as estratégias eleitorais em 2026. “Em um cenário no qual uma parcela expressiva do eleitorado decide pelo critério da menor rejeição, vencer passa menos por mobilizar bases ideológicas fiéis e mais por não afastar o eleitor indeciso”, conclui.