
Depois de um recesso marcado por pouca atividade, apesar da convocação extraordinária feita pela governadora Raquel Lyra (PSD), os deputados estaduais pernambucanos retomaram o protagonismo político essa semana em um clima que já antecipa o tom da campanha eleitoral deste ano: Raquel x João.
Parlamentares de diferentes campos políticos usaram vídeos, notas oficiais e entrevistas para comentar a investigação conduzida pela Polícia Civil entre agosto e outubro de 2025 envolvendo o secretário de Articulação Política e Social da Prefeitura do Recife, Gustavo Monteiro. Ele foi alvo de uma denúncia anônima que o acusava de utilizar um veículo alugado pela Prefeitura do Recife para recebimento de propina. O inquérito acabou arquivado em outubro por falta de provas, mas voltou ao centro do debate após reportagem da TV Record levantar a tese de perseguição política por parte do governo estadual.
Da líder do Governo na Assembleia Legislativa, deputada Socorro Pimentel (União Brasil), ao líder da Oposição, deputado Cayo Albino (PSB), passando pelo presidente da Casa, Álvaro Porto (PSDB), todos fizeram questão de se posicionar publicamente. O que mais chamou atenção, porém, não foi o conteúdo da investigação arquivada, mas o peso político que o caso ganhou.
Em entrevista coletiva concedida às 11h, o secretário estadual de Desenvolvimento Social, Alessandro Carvalho, afirmou que a apuração foi determinada por ele próprio, seguindo o procedimento adotado em todas as denúncias, inclusive as anônimas, desde que envolvam fatos graves. Segundo o secretário, a Polícia Civil agiu dentro da legalidade. Carvalho anunciou ainda a abertura de uma nova investigação para identificar o responsável pelo vazamento de informações sigilosas, incluindo diálogos de WhatsApp entre policiais envolvidos na operação.
Para o secretário, o vazamento configura crime. Ele chegou a apontar um possível autor: um agente afastado do setor de inteligência em novembro, após ter sido flagrado em encontro com o então presidente da Câmara de Ipojuca — hoje preso, suspeito de envolvimento em um desvio de R$ 41 milhões. O mesmo agente integrou a equipe que apurou a denúncia contra o secretário da Prefeitura do Recife.
Deputados aliados da governadora saíram em defesa da Polícia Civil e do governo estadual, enquanto oposicionistas passaram a comparar o episódio a práticas de perseguição política. Em artigo, o deputado Waldemar Borges (MDB) chegou a associar o caso ao filme O Agente Secreto, afirmando que o governo estaria agindo como nos tempos da ditadura e classificando a investigação como ilegal. Débora Almeida saiu em defesa de Raquel, bem como o secretário Daniel Coelho.
O episódio deixa claro que, mesmo sem fatos novos de impacto jurídico, o ambiente político em Pernambuco já entrou em rota de colisão. Governo e oposição parecem dispostos a transformar qualquer tema sensível em munição política, indicando que o processo eleitoral de 2026 promete ser marcado por embates constantes — dentro e fora da Assembleia Legislativa.
