
O maior e melhor São João do mundo está entupindo Caruaru de gente! Todo ano é assim, mas devido a uma pandemia que nos “roubou” cerca de 3 anos, a festa, este ano, teve um “sabor” especial. Confesso que eu não tinha saudade do trânsito, infernal nesta época do ano, que me faz lembrar o cotidiano e insuportável trânsito de Recife, cidade onde nasci e cresci.
Fui ao Pátio assistir a apenas um show, de um “mega artista”: Frei Gilson! Foi maravilhoso! A organização, o povo reunido por um só motivo e, claro, O MOTIVO: Jesus, em corpo, sangue, alma e divindade, ali, em frente a nós, sendo adorado por mais de 30 mil pessoas. Simplesmente a mais importante atração da festa toda!
Outros grandes artistas também passearam pelo palco principal do Pátio, trazendo suas músicas mais famosas, suas reinterpretações de forrós conhecidos e suas conhecidas (e às vezes esdrúxulas) exigências. Como não poderia deixar de ser, esses artistas também foram mote para polêmicas já manjadas: “Ain, nossa… pra que tantos artistas de fora? Por que não prestigiar artistas locais?”
Alguns blogueiros e “influenciadores” criam e/ou disseminam essa narrativa mas nem “se coçam” para tentar entrevistar e propagar justamente os artistas a quem aparentam defender, mas estão lá, fazendo fila e tentando conseguir ao menos uma palavra especificamente daqueles a quem criticam: os super artistas milionários que estrelam as grandes atrações da festa.
Afinal de contas, qual é o problema de entender que “quem é de Ivete, vá curtir a ‘mainha’”? Ora, quem é “chicleteiro”, vá de Bel Marques; quem é de sofrência, vá de Gustavo Lima… quem é de pé-de-serra, raiz, chão-batido, que vá curtir os palcos de “pife”, “triangu” e zabumba.
É complicado demais entender isso? Não, não é… então só tem uma explicação para a vontade de reclamar (e não é “defender os artistas da terra”): é fazer palco para algum futuro candidato tentar (de novo) ganhar algum capital político para as eleições do próximo ano, manchando a administração atual!
Se Caruaru quer continuar sendo o MAIOR e o MELHOR São João do mundo, tem que ter GENTE… e, gostem os críticos ou não, esses grandes artistas atraem gente! Frei Gilson, que nem é “uma Ivete”, atraiu caravanas de católicos de Sergipe, Alagoas, Paraíba e até do Maranhão (ali, “pertinho”) – Foram centenas de ônibus!
Aline Barros, por sua vez, congregou milhares de irmãos e irmãs do Nordeste todo em uníssono para louvar ao Senhor! Imagine, então, Ivete… Gustavo Lima… Bel…
Ora, sejamos honestos, não daria para fazer O Maior São João do Mundo sem os artistas milionários: é óbvio que caravanas não viriam às centenas para ver uma sanfona bem tocada, a menos que fosse o saudoso filho de Januário ou seu pupilo Dominguinhos (e olhe lá!).
“Ain, mas os palcos do Forró eram pequenos” – Não, meu amigo reclamador, os palcos eram adequados ao contingente de público! Isso é Oferta e demanda. É lógica. É matemática… simples!
Esses palcos/polos foram projetados exatamente para o quantitativo de pessoas que se calculou, e que consequentemente receberam. Raramente se via um desses palcos totalmente vazio. Era possível encontrar um número bom de plateia curtidora de forró, cordel e repente!
Sabe o que não se encontrava nesses palcos “caruaruenses”? Os críticos – sim, os que reclamaram dos artistas de fora – eles estavam em outro lugar, curtindo os shows dos ricos forasteiros, tentando captar imagens e palavras para publicar em seus blogs… provando que maior que o que o São João de Caruaru só a hipocrisia dos oportunistas!
Olha pro céu, meu amor…
*João Antonio é professor, católico (deu pra notar) e não sabe dançar forró.